O novo Sistema de Entrada e Saída (EES) da Europa está enfrentando críticas cada vez maiores, já que os visitantes precisam enfrentar longas filas por toda a região. Enquanto as autoridades da União Europeia afirmam que o sistema está funcionando bem, as companhias aéreas e os operadores aeroportuários alertam sobre o impacto nas viagens de verão.
O debate continua, já que milhões de viajantes de fora da UE precisam passar pelo maior projeto de modernização das fronteiras da região das últimas décadas. Além disso, os aeroportos precisam conciliar a gestão das medidas de segurança com o fluxo de passageiros durante uma das épocas de maior movimento do ano.
A Europa substitui os carimbos nos passaportes pela biometria do EES
O EES entrou em operação em todo o Espaço Schengen em 2026. O sistema substitui o carimbo tradicional no passaporte por registros digitais que capturam imagens faciais, impressões digitais e informações de viagem.
As autoridades europeias lançaram o programa para reforçar a segurança nas fronteiras e melhorar o acompanhamento das estadias dos visitantes. Além disso, as autoridades afirmam que os registros digitais ajudarão a identificar com mais eficácia quem fica além do prazo permitido.
Com o novo sistema, quem viaja pela primeira vez precisa fazer o cadastro biométrico ao entrar nos países participantes. Depois disso, as futuras passagens devem ficar mais rápidas, já que as autoridades já terão seus dados biométricos.
Os defensores do EES o descrevem como um esforço de modernização necessário. No entanto, os críticos argumentam que os desafios da implementação estão ofuscando os benefícios esperados.
O sistema afeta milhões de viajantes de fora da UE todos os anos. Por isso, mesmo pequenos atrasos podem se espalhar rapidamente pelos principais centros de transporte.
Companhias aéreas alertam para o aumento dos problemas operacionais do EES
As companhias aéreas e os operadores aeroportuários têm se manifestado cada vez mais sobre os desafios gerados pela implementação.
Grupos do setor, incluindo a Airlines for Europe (A4E), o Conselho Internacional de Aeroportos da Europa (ACI Europe) e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), manifestaram preocupação com o crescente congestionamento.
De acordo com estimativas do setor, o registro biométrico pode levar entre 70 e 90 segundos por passageiro. Em comparação, as verificações tradicionais de passaporte costumavam levar apenas 20 a 25 segundos.
Essa diferença pode parecer pequena. No entanto, ela gera congestionamentos significativos quando milhares de passageiros chegam ao mesmo tempo.
As organizações aeroportuárias e as companhias aéreas emitiram recentemente um alerta conjunto sobre a situação.
“Existe uma total desconexão entre a percepção das instituições da UE de que o EES está funcionando bem e a realidade”, afirmaram a ACI Europe, a A4E e a IATA em uma declaração conjunta.
Representantes do setor argumentam que os prazos de processamento mais longos estão causando dificuldades operacionais em vários países. Além disso, eles temem que o aumento no volume de viagens durante o pico do verão possa agravar os problemas já existentes.
Alguns grupos têm pedido medidas de contingência adicionais. Outros querem mais flexibilidade durante períodos de tráfego de passageiros excepcionalmente intenso.
Longas filas no EES surgem nos principais aeroportos
Estão surgindo relatos de tempos de espera prolongados em vários dos principais aeroportos europeus.
O Aeroporto de Bruxelas tornou-se um dos exemplos mais notáveis. Segundo relatos, alguns viajantes tiveram que esperar até quatro horas para concluir os trâmites de fronteira.
Enquanto isso, os aeroportos da França, Alemanha, Itália, Suíça e Holanda também têm enfrentado dificuldades operacionais.
O Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, tem chamado bastante atenção por ser um dos principais hubs internacionais da Europa. Por isso, os atrasos nesse aeroporto podem afetar passageiros em conexão em vários continentes.
Os aeroportos suíços também relataram tempos mais longos no atendimento aos passageiros desde a implementação dos novos procedimentos.
As operadoras dos aeroportos continuam ajustando os níveis de pessoal e os processos de gestão de fronteiras. No entanto, as autoridades reconhecem que a adaptação leva tempo.
Os especialistas em viagens recomendam agora que se chegue aos aeroportos com bastante mais antecedência do que antes. Além disso, aconselha-se aos passageiros que preparem os documentos e cumpram os requisitos de registro biométrico com antecedência, sempre que possível.
Famílias, viajantes idosos e passageiros com conexões curtas podem enfrentar os maiores desafios. Por isso, as companhias aéreas estão incentivando os clientes a reservarem um tempo extra para as formalidades na fronteira.
Bruxelas mantém sua posição sobre a implementação
Apesar das críticas de grupos do setor, as autoridades europeias continuam defendendo o sistema.
A Comissão Europeia afirma que o EES está funcionando bem na maioria dos postos de fronteira. Além disso, as autoridades afirmam que era de se esperar que houvesse alguns transtornos durante o período de transição.
Os defensores do projeto destacam que projetos tecnológicos de grande porte costumam enfrentar desafios temporários de implementação. Eles também enfatizam os benefícios a longo prazo da gestão digital das fronteiras.
As autoridades europeias acreditam que o sistema vai melhorar a segurança, reduzir a fraude e fornecer registros de viagem mais precisos. Por isso, Bruxelas continua empenhada na implementação do sistema.
O Ministério do Interior da Croácia reiterou recentemente que não tem planos de suspender a implementação do EES. A declaração reflete uma determinação mais ampla entre os Estados-Membros de seguir em frente com o projeto.
As autoridades argumentam que abandonar ou adiar o sistema prejudicaria anos de preparação e investimento. No entanto, a pressão continua aumentando por parte dos representantes do setor, que buscam ajustes práticos.
Os viajantes enfrentam uma nova realidade
A introdução do EES marca uma mudança significativa na forma como as pessoas entram na Europa.
Durante décadas, os carimbos nos passaportes foram a principal forma de registrar entradas e saídas. Agora, a verificação biométrica está se tornando o padrão.
Essa transformação reflete tendências semelhantes em outras regiões. Países como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Austrália e o Canadá dependem cada vez mais de sistemas digitais de controle de fronteiras.
Por isso, os viajantes precisam se adaptar a uma experiência mais voltada para a tecnologia.
Os especialistas acreditam que o período de adaptação pode se estender por meses. Alguns funcionários da fronteira sugeriram que a estabilização total pode demorar bem mais tempo.
As companhias aéreas temem que os atrasos contínuos possam afetar a satisfação dos passageiros e a eficiência operacional. Enquanto isso, os aeroportos precisam lidar com as crescentes expectativas dos viajantes e, ao mesmo tempo, cumprir os novos requisitos de segurança.
Um teste crucial para a modernização das fronteiras da Europa
A próxima temporada de verão pode ser decisiva para a percepção futura do EES.
As autoridades europeias veem o sistema como um investimento de longo prazo na segurança e modernização das fronteiras. No entanto, as companhias aéreas e os aeroportos argumentam que a experiência do passageiro deve continuar sendo uma prioridade.
A questão central já não é se a Europa vai adotar controles digitais nas fronteiras. Em vez disso, o foco agora está em como esses controles podem funcionar de maneira eficiente em condições reais.
Por enquanto, os dois lados concordam em um ponto. O EES representa uma das mudanças mais significativas na gestão das fronteiras europeias na história recente.
Se os viajantes vão se lembrar disso por causa de medidas de segurança mais rigorosas ou de filas mais longas pode depender da eficácia com que as autoridades lidarem com os crescentes desafios operacionais atuais.
Exército dos EUA – USAG-V, por Randall Jackson, domínio público, via Wikimedia Commons